terça-feira, 18 de novembro de 2008

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

Pablo Neruda

o cenário pós-eleições municipais e pré-eleições estaduais no Pará

Passado o processo eleitoral ou a batalha eleitoral de 2008 que elegeu os novos prefeitos, o quadro no Pará mostra um grande avanço da base governista, partidos como o PSDB, que antes quando ocupava o palácio dos despachos e o DEM seu aliado de primeira hora, hoje apresentam desempenho tímido no que diz respeito ao número de prefeitos eleitos. O dado mais emblemático é o do PSDB que passa de 47 prefeitos eleitos em 2004 para minguados 13 prefeitos eleitos em 2008, já o PT experimenta o inverso, elegeu 18 em 2004 e 27 prefeitos nesta eleição, o PMDB com 41 prefeitos eleitos é o campeão de votos nesta eleição no território paraense. Um olhar mais atento perceberá que o desempenho do PMDB é fruto de uma política de aliança governista via de regra no Pará, vai-se longe o tempo em que o PMDB teve seu último governador, mas quando foi que o PMDB fez oposição ao governo estadual pela última vez? Além disso leve-se em conta que há muitas prefeituras que não sobrevivem sem o apoio do governo do estado e nem sempre é conveniente migrar para o partido do governo – por razões antagônicas ou perrengues locais-, levando os prefeitos do interior a migrarem para a base aliada e quem tem resolvido o problema dessa demanda é exatamente o PMDB, inclusive recebendo adesões de prefeitos eleitos pelo PSDB e DEM. Não podemos esquecer do PTB do prefeito de Belém que também elegeu um considerável número de prefeituras e o PR com 15 cidades sob sua tutela. Cabe ao PT de Ana Júlia a tarefa habilidosa de costurar um leque de alianças o mais amplo possível para conseguir reelegê-la governadora, será preciso tanto internamente quantos com os outros partidos da base aliada um diálogo que venha a fortalecer o governo popular petista, leia-se rearranjo no 1º e no 2º escalão do governo. Esse é o momento em que o PT deve se mostrar unido no sentido de garantir um segundo mandato popular e progressista no Pará, será preciso agradar a cúpula do PMDB, de todos os partidos com bom desempenho eleitoral, a briga por espaço no governo esquentará nesse meses que se seguiram, partidos pequenos com boas posições no governo tendem a perder esses espaços para agremiações com densidade eleitoral. A batalha agora é para manter o governo no rumo certo, no rumo dos interesses do povo, no caminho da inversão de prioridades, na defesa dos interesse de todos os paraenses de todos os cantos do Pará.